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sexta-feira, 21 de março de 2014

Sereias Melodiosas

Melodias leves que me deixam vaguear.
São sereias com caudas de mil cores…
Sereis vindas do atlântico, perto dos açores…
E fujo para as sombras do mar.

Melodias encantadas,
Por sereias loucamente desesperadas,
Sem paixão, as sereias cantam,
Para aproximar os marinheiros que se encantam.

Assim são as sereias que vivem
No meu coração. Entristecidas,
Por todas as feridas
Que aqui sobrevivem.

As sereias tentam rasgar as paredes,
Para poderem fugir para sítios distantes,
Pois amar tráz tantas sedes
E as feridas fazem ruídos possantes.

Esta tarde recitei dois poemas na biblioteca de Alenquer, num sarau de poesia, dedicado ao dia mundial da poesia. Este foi um dos dois poemas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

domingo, 16 de março de 2014

Boa tarde meus seguidores, venho por este meio comunicar que ganhei o 1º Prémio do concurso dos Alencriativos "Contos com Vida". O conto vencedor foi o seguinte:

"Não Sei Quem Sou"

"Ainda ontem nasci e hoje já tenho problemas de identidade, a vida de lagarta é rápida e muito difícil.
Passo o dia a fugir dos perigos que me possam por em risco, como as solas negras dos pés dos gigantes ou os pássaros que me querem caçar a toda a hora para alimentar os seus filhotes… Mas sempre que encontro um buraquinho seguro o suficiente para me esconder começo a pensar no que serei eu, serei apenas um verme rastejante que no seu caminho baba tudo por o que passa?
Pensei que talvez me faltasse uma casa, tal como o caracol, mas era demasiado pesada para eu a conseguir levar para todo o lado. Vi um bichinho saltitante, tentei imitá-lo mas só me magoei, via outros a voar e por mais que mandasse o meu corpinho rechonchudo levitar, ele não se afastava nem um milímetro do solo. Eu era uma desgraça.
Sem saber o que era, continuei a minha vida durante mais algum tempo, comendo folhas e caules de ervas tenrinhas… Adoro ervas tenrinhas!
Cresci muito e já era difícil encontrar um esconderijo. Decidi seguir uma lagarta igual a mim, ela criou fios com a sua boca e conseguiu enrolar-se dentro deles, assim que acabou de se esconder permaneceu imóvel.
Segui o meu caminho até encontrar um bom esconderijo, quando me senti bem segura, tentei fazer o mesmo que a outra lagarta fez e fiquei toda enroladinha. Aquele lugar quentinho era tão confortável que adormeci.
Quando acordei senti que se tinham passado várias semanas e continuava dentro meu casulo, comecei a mexer-me e as linhas que eu tinha feito estavam a ser destruídas pelos meus movimentos.
Saí daquele buraquinho e reparei que tinha pernas longas, o que dizia que eu já podia saltar como um gafanhoto. Ao tentar saltar, reparei que tinha umas asinhas e assim poderia voar.
Os meus problemas de identidade afinal tinham sido resolvidos depois de uma longa cestinha."

sexta-feira, 14 de março de 2014

Rio que Passa por Amor

O rio que passa e não saí do lugar. Quem me dera ser rio para te amar.

Como te amaria eu, se fosse rio? Ora, banhar-te-ia com água pura, mostrar-te-ia o meu rosto espelhado nas águas que passam ou então passaria por ti, sem me veres passar e assim admirar-te, como já te admiro mesmo não sendo rio. Mas sem ti, nem rio, nem água, nem nada sou! Porque o que é um meio coração que pulsa sem sentido? Não é nada… Eu tenho duas metades: uma minha, outra tua, ambas nossas. Porque temos o desejo de as partilhar.
O rio que passa e não saí do lugar. Quem me dera ser rio para te amar.
Então que seja um rio que desce à desgarrada, pelas montanhas do teu amor, entrando no vale onde as cavernas da paixão me encobrem. Para ser tudo o que te pertence, para sermos um puzzle que encaixa na perfeição, para sermos só nós e não precisarmos de mais ninguém.


O rio que passa e não saí do lugar. Quem me dera ser rio para te amar.

terça-feira, 4 de março de 2014

coisas do coração

As minhas lágrimas conhecem o teu rosto. Tal como as minhas mãos conhecem o teu corpo. Quero-te perto de mim para que possa sonhar, sonhar com aquele mundo feliz onde não há desgraça, nem injustiça, nem nada do que existe neste mundo! Eu quero-te porque te amo e eu sei que te amo porque também sei o que não é amar!
Por tudo isto, o perdão é algo desnecessário porque quem ama perdoa sem saber que esquece o sucedido... O amor será eterno? Não sei! Mas o meu amor será eternamente teu.
Quem me dera conhecer a palavra do amor numa língua morta, porque as línguas vivas usam a palavra "amo-te" de uma forma suja e desapropriada... Quem sabe se um dia alguém me ensina etrusco, aí, tu serás o meu Jano e viveremos numa ilha perdida no meio do Atlântico.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Vivo na rua da liberdade e em nada sei o que isso significa!
Sinto-me prensa entre muralhas feitas com pedras grandes e frias… Um granito atroz.
O sol que brilha dentro de mim parece apagar-se, talvez o seu combustível esteja a chegar ao fim, talvez se quei
ra transformar numa gigante vermelha, ou talvez apenas me queira abandonar.
As paredes pressionam-me a escolher uma das duas fugas que tenho, mas prefiro ser esmagada do que ter escolher entre a prisão e a infelicidade, porque seria infeliz das duas formas.
Eu não aguento a minha mente, que grita que preciso de liberdade, e o meu coração, que chora por consolo.
Eu não aguento ter que escolher entre o que amo e o que me esgota… Eu não aguento mais viver assim! Não quero morrer, porque a vida é tudo o que tenho, mas quero ter a liberdade de poder escolher o que eu quero fazer!

Eu tenho pensado em fugir… Mas para onde? Não tenho um poiso seguro para onde ir!

sábado, 1 de março de 2014

O Mandar

Os sapos ficam descansados
Ao sentirem a minha presença,
Pois acompanha-os para mostrar o fado,
Como o destino e não uma sentença.

Que mais não seria
Do que o destino humano?
Caro leitor, não se ria.
Porque o que tenho para contar
Matará o rebanho
Que segue silenciosamente o mandar
De seres de uma raça inferior.

Porque o destino fatal
Esta sempre no final,
De um mundo sem amor.