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quinta-feira, 31 de março de 2016

Deus desenhou-nos à sua imagem e semelhança

“Deus desenhou-nos à sua imagem e semelhança, todos os outros seres foram apenas esboços para chegar ao ser humano”, foi o que me disseram enquanto ainda frequentava a catequese.
Só com estas palavras já consigo imaginar milhares de folhas sujas com grafite a cair por entre as nuvens e assim que tocavam na terra ou na água transformavam-se no ser que a folha trazia… Talvez em vez de um ser, saía dois de cada folha, um feminino e outro masculino… Quem sabe até se logo a seguir os mais fracos não acasalaram, sem perderem qualquer tempo para descobrir o novo mundo, pois, a maioria dos seres só conseguem sobreviver por viverem em grupo.
Vejo dois peixes a saírem da pequena folha de papel e a crescerem desmesuradamente… Talvez seja uma baleia ou um tubarão, pelo tamanho que já possuem suponho que tenham de ser um dos gigantes dos oceanos!
Mais adiante, vejo o primeiro ser humano a surgir e ao vê-lo nascer de uma forma tão surreal percebo a mensagem com que este texto começa… Percebo o porque da natureza invejosa e mesquinha do ser humano, no fim de contas, fomos feitos à imagem de Deus… E é este o Deus que temos! O Deus que deixa crianças morrerem de fome e pessoas verem os seus direitos serem violados todos os dias… Deixa que algumas pessoas nasçam com a necessidade de matar para se sentirem satisfeitas… Não impede acidentes trágicos que matam centenas de pessoas… Este Deus que é transversal a todas as religiões mas nunca as conseguiu unir e permite que guerrilhem entre si…

O ser humano é defeituoso porque foi feito à ”imagem e semelhança” de uma coisa muito mais defeituosa do que nós mesmos: Deus!

terça-feira, 15 de março de 2016


Algumas vezes tiveste à distância de um beijo que nunca mais chegava, outras à distância da vontade de nos vermos… Agora a distância é muito superior à que alguma vez foi! Dizem que tenho de ser forte, de enfrentar a maré sozinha, que quando a tormenta passar, o sol voltará a bilhar. E se eu me perder no mar? E se eu não conseguir enfrentar a tempestade? E se a minha vida tiver menos dias do que os dedos das minhas mãos? Para que é que me devo dar ao trabalho de tentar ultrapassar a intempérie? Porque é que não posso simplesmente continuar o meu rumo à deriva? Porque o barco se vai virar, é por isso? O barco já se virou há léguas atrás! Agora só tenho um remo ao qual me agarro para continuar a flutuar mas algo dentro de mim não se importa nada que qualquer coisa faça esse remo deslizar por entre os meus dedos… Não me importo nada de ir conhecer o fundo do mar, não me importo de saber que quando chegar a esse fundo já só sobrará pequenos pedaços de mim. Prefiro ser devorada pelos tubarões do que deixar que o meu interior me engula como um enorme predador…
Eu sei o que vão dizer, que já passaram por momentos piores e que o sol até já começa a espreitar por entre as nuvens, mas no meu inteiro está desabitado… Por isso o melhor será entregar-me à tempestade e deixar nela as culpas de eu desaparecer deste mundo.

Remo, segue em direção à costa enquanto ainda te consigo ver, diz há minha família que o mar é mau, que me consumiu, não digas que fui eu que te larguei para ficar aqui…